Vale a pena visitar Malta?
Partilho aqui as razões que me convenceram a recomendar Malta, bem como algumas coisas que deve saber antes de partir.

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Vale a pena visitar Malta?
Sim, sem dúvida. Malta é um destino diferente de todos os outros: um território minúsculo que reúne milénios de história, uma costa esculpida em falésias, enseadas e lagoas e uma cultura moldada por uma dúzia de civilizações sucessivas. Em apenas alguns dias, pode passar de um templo pré-histórico com 5600 anos a uma cidade barroca. É precisamente isso que torna esta viagem tão especial.
Aninhado no coração do Mediterrâneo, este arquipélago de três ilhas principais – Malta, Gozo e Comino – concentra uma densidade de património, paisagens e experiências que poucos destinos conseguem igualar. De templos megalíticos anteriores às pirâmides egípcias a cidades fortificadas classificadas pela UNESCO, águas azul-turquesa e vertiginosos penhascos de calcário, Malta nunca deixa de surpreender pela sua diversidade.
Razão 1 – A concentração de experiências num pequeno território

Este é provavelmente o argumento mais imediatamente convincente: Malta tem cerca de 27 km de comprimento e 14 km de largura. Gozo, a segunda ilha do arquipélago, é ainda mais pequena. Neste território compacto, descobri templos pré-históricos, cidades medievais fortificadas, lagoas de águas cristalinas, falésias que mergulham no mar, museus de renome internacional e uma gastronomia moldada por séculos de intercâmbio cultural. Tudo é acessível sem qualquer esforço logístico: Valeta pode ser atravessada a pé em 15 minutos, as principais praias do norte ficam a menos de uma hora da capital e o ferry para Gozo demora apenas 25 minutos.

Esta compacidade é uma verdadeira vantagem para os viajantes com tempo limitado. Em cinco dias, pode percorrer os principais locais das três ilhas a um ritmo confortável. Com uma semana, pode dar-se ao luxo de explorar os recantos mais tranquilos. Nunca me senti como se estivesse a correr de um sítio para outro: as distâncias curtas dão tempo para parar, olhar em volta e absorver a atmosfera de cada local.
Consulte o meu artigo sobre as melhores atracções ou o meu itinerário recomendado para uma semana.
Razão 2 – As falésias, as praias e a paisagem costeira

A costa maltesa é uma das mais variadas do Mediterrâneo para um território tão pequeno. As falésias calcárias alternam com enseadas abrigadas, praias de areia e formações rochosas esculpidas pelo mar ao longo de milhões de anos. Fiquei particularmente impressionado com as falésias de Dingli, na costa sudoeste de Malta: elevam-se a cerca de 253 metros acima do mar e constituem o ponto mais alto da ilha.

A Lagoa Azul é, sem dúvida, o sítio natural mais fotografado de Malta. Esta lagoa de água azul-turquesa, quase transparente, é emoldurada por rochas e pelo pequeno ilhéu de Cominotto. É muito agradável nadar, pois o fundo de areia facilita a observação dos peixes. Dito isto, o local é vítima do seu próprio sucesso: na época alta (julho-agosto), pode ficar muito cheio ao meio-dia.
Pode alugar espreguiçadeiras e guarda-sóis no local, mas estes esgotam-se rapidamente. Não se esqueça de trazer o seu equipamento de mergulho. Diferentes tipos de barcos podem levá-lo até lá – veja as opções

As praias de areia são relativamente raras em Malta – a linha costeira é maioritariamente rochosa – o que as torna ainda mais apreciadas. Golden Bay, no noroeste, está escondida entre falésias de argila em tons quentes de terra. A Baía de Ramla, na costa norte de Gozo, destaca-se pela sua areia cor de laranja profunda, única no arquipélago. Para os amantes de enseadas selvagens, San Blas, acessível apenas a pé, oferece uma tranquilidade rara na época alta.
As salinas da baía de Xwejni, na costa norte de Gozo, formam uma paisagem geométrica esculpida na rocha: estas bacias, utilizadas desde o tempo dos romanos, ainda hoje estão activas e pode comprar sal marinho diretamente aos produtores no local.

Where to Stay in Malta – My Favorite Spots:
- Valletta – See best-rated accommodations
- St. Julian’s – See best-rated accommodations
- Victoria (Gozo Island) – See best-rated accommodations
My Top Picks:
- Cugo Gran Macina (5 stars) – see photos and availability
- The Gomerino Hotel (4 stars) – see photos and availability
See my article on the best places to stay in Malta (coming soon)
Razão 3 – Os sítios pré-históricos, únicos no mundo

Este é um dos aspectos mais inesperados de Malta para muitos visitantes: o arquipélago alberga alguns dos monumentos megalíticos mais antigos do mundo. Os templos malteses, datados entre 3600 e 2500 a.C., são anteriores às pirâmides egípcias e a Stonehenge, em Inglaterra. Vários deles estão classificados como Património Mundial da UNESCO.
Achei que esta profundidade histórica deu à viagem uma dimensão inesperada, muito para além da imagem à beira-mar do destino.
Os templos de Ħaġar Qim e Mnajdra, na costa sul de Malta, são os exemplos mais acessíveis. Ħaġar Qim impressiona pelo tamanho dos seus blocos de calcário, alguns dos quais ultrapassam os 5 metros de comprimento. Mnajdra, algumas centenas de metros mais abaixo na encosta, está orientado de forma a que a luz do sol ilumine o interior do templo nos equinócios e solstícios.
Se preferir não conduzir, há uma série de excursões organizadas que o levarão até lá – veja as opções

Em Gozo, os templos de Ggantija (cerca de 3600 a.C.) contam-se entre as mais antigas estruturas independentes conhecidas: as suas paredes exteriores, com mais de 5 metros de altura, são feitas de blocos, alguns dos quais pesam mais de 50 toneladas. A maioria das excursões em Gozo inclui uma paragem nos templos – veja as opções
O Ħal Saflieni Hypogeum está numa categoria própria. Este templo subterrâneo, escavado na rocha em três níveis entre 4000 e 2500 a.C., servia simultaneamente como local de culto e necrópole.
Razão 4 – Valeta e as 3 Cidades, ricas em património e vida

Fundada em 1566 pelos Cavaleiros da Ordem de São João, Valeta é uma das capitais com mais património do mundo. Classificada como Património Mundial da UNESCO, pode ser explorada inteiramente a pé. Fiquei impressionado com a concentração de monumentos nas suas ruas estreitas: uma fachada esculpida, uma varanda de madeira colorida, uma igreja barroca em cada esquina. A cidade é compacta – pode percorrê-la de ponta a ponta em 15 minutos – o que torna todas as atracções facilmente acessíveis.

A Co-Catedral de São João é o monumento mais impressionante. Construída entre 1573 e 1578, a sua fachada simples não deixa adivinhar a extravagância barroca do seu interior: paredes e tectos cobertos de pinturas e dourados, chão constituído por mais de 400 lápides de mármore policromado. O oratório alberga duas grandes obras de Caravaggio, pintadas durante a sua estadia em Malta, em 1608. Por seu lado, o Palácio dos Grão-Mestres, na Rua da República, oferece salas de Estado decoradas com frescos e um arsenal com mais de 5000 peças.

Para além do seu património, Valeta é também uma cidade vibrante, com restaurantes, cafés e mercados que vale a pena visitar.

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Razão 5 – A ilha de Gozo, mais rural e autêntica

Gozo, a segunda ilha do arquipélago, é alcançada por um ferry de 25 minutos a partir do porto de Ċirkewwa, no norte de Malta. O contraste com a ilha principal é imediato: o ritmo é mais lento, as paisagens mais rurais, o ambiente mais local. Achei que Gozo merecia pelo menos um dia inteiro, mais se quiser explorar as suas diferentes facetas.

Victoria, a cidade principal, é dominada pela sua Cidadela, situada num promontório fortificado. Habitada desde o período neolítico, foi reforçada pelos Cavaleiros da Ordem no século XVII. Até 1637, os habitantes de Gozo eram obrigados a refugiar-se aí todas as noites para se protegerem dos ataques dos piratas. Das suas muralhas, o panorama de 360° sobre toda a ilha é um dos mais belos do arquipélago. No interior, vários pequenos museus merecem uma visita: arqueologia, artes populares, antigas prisões.
Veja o meu artigo sobre as melhores atracções de Gozo.
Razão 6 – As cidades fortificadas medievais

Malta tem várias cidades fortificadas excecionalmente bem preservadas. Mdina, situada numa colina no centro da ilha, é a antiga capital. Apelidada de “a Cidade Silenciosa”, tem menos de 300 habitantes permanentes. As suas ruelas empedradas serpenteiam entre palácios de calcário dourado e capelas discretas, num sossego raro e tranquilo. Recomendo que vá de manhã cedo, antes da chegada dos grupos turísticos. O calcário ganha tons dourados à luz do sol e cada curva traz uma descoberta: uma aldrava esculpida, um nicho religioso, um pátio escondido.

Do outro lado do Grande Porto, em frente a Valeta, as Três Cidades – Vittoriosa (Birgu), Senglea (Isla) e Cospicua (Bormla) – foram o primeiro local de estabelecimento dos Cavaleiros da Ordem em Malta, em 1530. O ambiente é muito diferente do da capital: mais residencial, menos turístico. Gostei de passear pelas suas ruas sem um percurso fixo, descobrindo fachadas históricas e vistas sobre o porto à medida que avançava.
Razão 7 – A riqueza da sua cultura e tradições

Ao longo de mais de três milénios, Malta foi moldada por uma sucessão de influências fenícias, romanas, árabes, normandas, espanholas, francesas e britânicas. Esta estratificação é visível na vida quotidiana: na língua maltesa, de origem árabe, mas escrita em alfabeto latino com numerosos empréstimos do italiano e do inglês; na arquitetura, que mistura o barroco mediterrânico com elementos anglo-saxónicos; na gastronomia, que combina influências sicilianas e norte-africanas. Achei esta estratificação cultural particularmente visível e fascinante de observar no dia a dia.

Algumas coisas a não perder: os luzzu, barcos de pesca de cores vivas adornados com o Olho de Osíris na proa, vistos principalmente em Marsaxlokk, a aldeia piscatória mais emblemática da ilha. A gastronomia também merece ser explorada: os pastizzi (pastéis de massa folhada recheados com ricota ou ervilhas, vendidos por alguns cêntimos nas pastizzerias), a ftira (um pão achatado com cobertura semelhante à focaccia) e o ensopado de coelho, o prato nacional conhecido como fenkata, são especialidades a experimentar. É também de salientar que a fé católica está sempre presente: Malta tem mais de 360 igrejas em 316 km², um número que diz muito sobre o lugar da religião na vida local.

My favorite activities in Malta:
- Boat trip to Comino Island and the Blue Lagoon – see options
- Kayaking excursions – see options
- Culinary tours – see options
- ATV tours – see options
Razão 8 – As actividades aquáticas

Com as suas águas límpidas, grutas submarinas e naufrágios acessíveis, Malta é um destino privilegiado para actividades aquáticas. A visibilidade subaquática atinge regularmente os 30 metros e a temperatura da água varia entre os 15°C no inverno e os 26°C no verão. Quer seja um principiante ou um experiente, as opções são variadas e as condições são favoráveis durante grande parte do ano.

Actividades a não perder:
- Mergulho: Malta tem muitos locais de mergulho de renome, incluindo os destroços do MV Karwela ao largo de Gozo (um ferry deliberadamente afundado para criar um recife artificial), o Blue Hole em Dwejra e as grutas subaquáticas de Comino. Os centros de mergulho oferecem mergulhos de introdução e excursões para todos os níveis.
- Mergulhe com tubo de respiração: Os melhores locais incluem a Lagoa Azul em Comino, Għar Lapsi, a Piscina de São Pedro e a Baía de Xlendi em Gozo. A clareza da água permite-lhe observar muitas espécies sem ter de mergulhar fundo.
- Caiaque: As excursões de caiaque no mar permitem-lhe explorar grutas e enseadas inacessíveis por estrada, especialmente em Comino, nas falésias de Dingli e na costa sul de Gozo.
- Stand-up paddleboarding e jet-ski: Disponível nas principais estâncias balneares, como St Julian’s, Sliema e Mellieħa.
Algumas desvantagens de uma viagem a Malta
Multidões na época alta
Os meses de julho e agosto atraem a maioria dos visitantes, e os sítios mais populares sentem visivelmente o impacto. Descobri que chegar de manhã cedo ou ao fim da tarde faz uma diferença radical na maioria dos sítios.
A primavera (abril-junho) e o outono (setembro-novembro) continuam a ser os períodos mais agradáveis: temperaturas entre 20 e 28°C, multidões moderadas e preços mais baixos.

Tráfego e transportes
Para se deslocar de carro em Malta, é necessário fazer algumas adaptações: a circulação faz-se pela esquerda (um legado do período britânico, que terminou com a independência em 1964), as estradas são por vezes estreitas e a sinalização pode ser inconsistente. A densidade do tráfego nas zonas urbanas, sobretudo em torno de Valeta e Sliema, pode tornar algumas viagens mais longas do que o previsto. A rede de autocarros cobre toda a ilha principal, sendo Valeta o ponto central. As tarifas são acessíveis, mas as frequências podem ser irregulares fora da época alta. Para locais mais remotos, como os templos do sul ou as falésias de Dingli, a opção mais prática continua a ser o aluguer de um automóvel.
Veja os meus artigos: Alugar um carro e conduzir em Malta.
Acesso a determinados sítios muito procurados
O Ħal Saflieni Hypogeum limita a entrada a 80 visitantes por dia para preservar o sítio. Na prática, as vagas esgotam-se com várias semanas de antecedência durante a época alta. Se esta visita estiver na sua lista de prioridades, recomendo que faça a reserva assim que as suas datas estiverem confirmadas, mesmo antes de finalizar o resto do seu itinerário.
Onde ir em Malta

Para uma primeira viagem, recomendo que se baseie na ilha principal – Valletta, Sliema ou St Julian’s estão bem situadas – e que dedique pelo menos um dia a Gozo. Meio dia é suficiente para Comino, se for sobretudo para visitar a Lagoa Azul, mas reserve mais se quiser fazer caminhadas pela ilha.
- Com 5 dias: Valletta e as Três Cidades (2 dias), Mdina e os templos do sul (1 dia), Gozo (1 dia), Comino e as praias (1 dia).
- Com uma semana: acrescente as falésias de Dingli, as salinas de Xwejni e aproveite para se demorar em Gozo.
- Com 10 dias ou mais: explore os sítios arqueológicos ao seu próprio ritmo, percorra os caminhos costeiros e descubra as aldeias menos conhecidas.
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